Para o banco, o que sustenta a possibilidade de redução da volatilidade no futuro não é uma questão de aumento da quantidade de notícias positivas, mas a percepção, por parte dos investidores, de diminuição das notícias negativas.
Indicadores sustentam queda
Conforme apontado pelo banco, os mesmos três indicadores que sinalizaram uma possível alta da volatilidade em meados de 2007, agora apontam que o pico já passou, sugerindo maiores declínios nos próximos 12 ou 15 meses.
"Especificamente, tanto o crescimento do setor de crédito corporativo quanto a curva de yield sustentam que a volatilidade deve cair nos próximos meses. Considere que a nossa medida de prêmio de risco de ações aumentou significativamente, embora ainda esteja abaixo das máximas vistas no pior período da década de 1970. Ainda, isso é indicativo de menor volatilidade neste ano", explica o Citi, em relatório.
Ou, no caso de uma explicação menos técnica, o banco afirma que é possível teorizar que as condições econômicas podem parar de piorar com a combinação de fatores positivos como estímulos monetários e fiscais e preços mais baixos do petróleo. Na opinião do Citigroup, os benefícios de medidas governamentais devem abrir espaço para a melhora da confiança dos investidores e seu retorno para as bolsas.
Boas notícias aos investidores
Segundo Tobias Levkovich, do Citigroup, a volatilidade dos preços e a performance dos mercados acionários geralmente têm relação inversa, o que torna importante determinar qual a direção da volatilidade no futuro. Dessa forma, a instituição acredita que volatilidades mais baixas devem ser traduzidas em melhor desempenho das bolsas.
Levkovich também encontra relação entre a volatilidade dos preços e a performance de outros mercados como o de câmbio e de commodities. A sinalização é de que, com menores índices de volatilidade, o dólar perca força como porto-seguro e se desvalorize, enquanto os preços das commodities devem subir. Dessa forma, a redução da volatilidade pode ser benéfica aos mercados emergentes de maneira geral.
Estratégias agressivas ganham espaço
Enquanto em momentos de alta volatilidade os papéis defensivos ganham a atenção dos investidores, quando o VIX começa a recuar, o foco acompanha. "Grupos defensivos tendem a ter performance fraca quanto o VIX recua", afirma Levkovich. Segundo ele, os investidores devem visar estratégias mais agressivas.
"Grupos com beta mais alto provavelmente irão se beneficiar mais - sustentando o argumento de um posicionamento de portfólio mais agressivo em automobilísticas, bancos, setor financeiro, petróleo, seguro, imobiliário e semicondutores", informa o analista, que recomenda overweight (peso acima da média) para o setor financeiro, seguro e semicondutores, devido a estimativas de ganhos, revisão das tendências e valuation.
Ademais, dada a condição natural de betas mais altos das small caps, os analistas do Citigroup acreditam que essas empresas serão mais beneficiadas com a queda dos índices de volatilidade, principalmente antes que haja implicações de enfraquecimento do câmbio.
Por fim, deve-se destacar a ressalva feita por Levkovich de que "ainda é cedo para dizer aos investidores para comprar ações de acordo com essas leituras iniciais". Segundo ele, o que os dados sugerem é que os investidores devem monitorar os sinais e ficar atentos ao melhor momento de voltar à renda variável.
Giulia Santos Camillo - InfoMoney
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