Somente no pré-sal, a empresa pretende investir US$ 28,4 bilhões até 2013 - US$ 18,6 bilhões na Bacia de Santos e US$ 10,3 bilhões na Bacia do Espírito Santo - o que deve viabilizar um crescimento acelerado da produção na nova fronteira exploratória. "O pré-sal é um desafio enorme e nosso plano viabiliza os investimentos", afirmou Gabrielli.
De acordo com o executivo, a meta da estatal é mais do que dobrar sua produção até 2020, para 5,7 milhões de bpd (barris por dia). Para isso, irá investir US$ 111,4 bilhões na região durante o período, o que levará sua produção para 1,8 milhão de bdp, volume semelhante ao produzido pela empresa atualmente.
Ele ressaltou que, enquanto a Petrobras levou 45 anos para atingir seu primeiro milhão de bpd, as áreas do pré-sal devem levar apenas 12 anos para atingir este volume a partir do primeiro óleo produzido, o que justifica a perspectiva de um ritmo acelerado de produção no local.
Enfrentando a crise
O presidente da Petrobras afirmou que o planejamento anunciado na última sexta-feira tem como foco o longo prazo, e não o atual momento de crise internacional. Mesmo reconhecendo que a empresa enfrentará uma série de incertezas, ele destacou que a estatal está melhor posicionada do que outros setores da indústria, possuindo, por exemplo, custos em níveis mais adequados para enfrentar a crise.
No entanto, vale destacar que, para garantir os investimentos nas diferentes áreas da Petrobras, a ordem é reduzir ainda mais os custos de produção. Desta forma, a companhia pretende simplificar seus projetos, revisar cláusulas contratuais, reformular estratégias de contratação e aprimorar o acompanhamento da realização física e financeira dos empreendimentos.
Com relação às dificuldades de crédito, Gabrielli minimizou afirmando que a crise não deve afetar a liberação de recursos. A empresa já tem garantido um financiamento no valor de R$ 25 bilhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para este ano e poderá dispor de mais R$ 20 bilhões em 2010 caso precise financiar seus investimentos.
Segundo o diretor financeiro da petrolífera, Almir Barbassa, a estatal pagará taxas do mercado de capitais e a dívida poderá ser quitada num prazo de 30 anos. "Isso vai dar tranquilidade para manter a estrutura de capital da empresa", acrescentou.
O plano da Petrobras leva em conta um preço médio de US$ 37 para o barril de petróleo neste ano e de US$ 40 para 2010. Nesse patamar, a empresa irá gerar um caixa de US$ 120 bilhões ao longo dos próximos cinco anos. Se o valor ficar acima dessa faixa, a companhia pode gerar um caixa ainda maior, de cerca de US$ 150 bilhões no período.
Críticas
Ao ser questionado sobre o motivo de anunciar investimentos pesados num momento em que a maioria das empresas estão indo na direção contrária, diante do cenário de instabilidade econômica mundial, o presidente da petrolífera afirmou que "a Petrobras precisa construir capacidade agora para ser uma grande produtora de petróleo".
A justificativa bate de frente com as críticas dos analistas, que, de um modo geral, alegaram falta de coerência entre a agressiva revisão dos investimentos - que eram de US$ 112,4 bilhões no planejamento anterior para o intervalo de 2008 a 2012 - com o atual cenário para o setor de petróleo.
Neste sentido, Gabrielli também fez uma ressalva para a demanda mundial por petróleo. Segundo ele, mesmo que o consumo se mantenha estagnado até 2020, o que é pouco provável, a produção global ainda terá que crescer entre 55 milhões e 65 milhões de bpd.
Assim, ele afirma que a Petrobras precisa investir agora em aumento de capacidade de produção para poder aproveitar o ciclo de aumento de demanda, quando este for retomado.
Por: Gabriel Ignatti Casonato - InfoMoney
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