sábado, 24 de janeiro de 2009

Aracruz e VCP são primeira e segunda maiores baixas do Ibovespa na semana

Impactado pelas perdas verificadas nas bolsas externas, o Ibovespa viveu mais uma semana marcada pelo pessimismo, acumulando desvalorização de 3,07% no período. Considerado por muitos especialistas com um dos segmentos mais afetados pela crise mundial, o setor de papel e celulose liderou a ponta negativa do índice.

Ocupando o primeiro lugar entre as desvalorizações do Ibovespa, os papéis preferenciais classe B da Aracruz (ARCZ6) fecharam com queda de 19,92% na semana, cotados a R$ 2,13. Na segunda posição, as ações preferenciais da VCP (VCPA4) mostraram desvalorização de 16,58%, cotadas a R$ 14,34.

Operação não agrada
A tão esperada fusão entre as duas companhias foi realizada e, ao mesmo tempo, o acordo com os bancos credores quanto à dívida com derivativos da Aracruz também foi firmado. Todavia, no final das contas, os únicos vencedores com a operação entre as duas maiores produtoras brasileiras de celulose foram os controladores, segundo análise do Banif.

Os acionistas minoritários detentores de ações ordinárias da Aracruz estão em uma situação um pouco melhor que os outros acionistas, já que eles podem integralizar sua parcela na VCP com 160% de prêmio sobre o preço de fechamento. Porém, ainda assim, em relação ao grupo de controladores, há um desconto de 31%, completam os analistas do banco.

O movimento declinante dos papéis encontra raízes também nas perspectivas extremamente pessimistas para o setor como um todo, em meio à forte queda nos preços da celulose e também por conta do enfraquecimento da demanda chinesa. "De modo geral, recomendamos que os investidores evitem o setor em 2009, dada a fraca perspectiva para a demanda por celulose", afirmou o UBS em relatório recente.

Ratings
O negócio deve mexer ainda com os ratings de ambas as empresas. A agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou as notas "BB" da VCP em perspectiva negativa e o rating "brAAA" da Aracruz em creditwatch positivo.

E para completar a enxurrada de recomendações negativas, em nota aos investidores no dia do anúncio da operação, o Deutsche Bank afirmou que "o acordo deixa a empresa (VCP) com uma dívida enorme, alta carga de juros e pagamentos de amortização, que serão difíceis de cumprir e encurtarão significativamente a sua capacidade de investir nos próximos anos".

Mais perdas
Também tiveram uma performance ruim os papéis de Lojas Renner ON (LREN3, R$ 14,90, -16,43%), Gafisa ON (GFSA3, R$ 10,24, -13,37%), Cyrela Realty ON (CYRE3, R$ 8,38, -12,53%) e Copel PNB (CPLE6, R$ 22,25, -11,35%).

Por: Marcelo Olsen Saad - 23/01/09 - InfoMoney

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